Estratégias Sub-regionais
de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Rural

Segurança Alimentar na América Central: Do Manejo de Crises a Curto Prazo ao Manejo de Riscos e Redução da Vulnerabilidade a Longo Prazo
RESUMO EXECUTIVO
Cinco anos depois da Cúpula Mundial sobre a Alimentação, a diminuição do número de pessoas desnutridas não alcançou o ritmo necessário para lograr a meta prevista para o ano 2015. Na América Latina é particularmente preocupante a evolução da subnutrição nos países centros-americanos. Nesta sub-região, o número de pessoas subnutridas, longe de diminuir, continua aumentando. Entre 1990 e 1999 a subnutrição passou de 4.9 milhões a afetar 6.4 milhões de centros-americanos. Em vez de se aproximar da meta de reduzir 50% o número de desnutridos, apresentou-se um incremento de 30%.
A incidência da subnutrição também cresceu relativamente durante esse período. No triênio 1990-1992 a subnutrição afetava a 17% da população centro-americana, enquanto que em 1997-1999 chegou a afetar 19% do total. Esta evolução contrasta com a redução alcançada na incidência média da subnutrição na América Latina e Caribe, que diminuiu de 13% a 11%. A negativa evolução da segurança alimentar nos países centro-americanos elevou os índices de subnutrição nesta região a níveis ainda mais graves que a média geral do mundo no desenvolvimento, o qual passou de 20% a 17%.
As condições de insegurança alimentar vêm piorando nos últimos anos devido a prolongadas secas e a desestruturação do mercado de trabalho do café, derivada da bruta caída de preços internacionais, tornando-se crônica em muitas zonas marginais da maioria dos países da região. Nestas, o acesso aos alimentos da população rural se reduziu drasticamente, como conseqüência de um auto-abastecimento cada vez menor e da redução de salários provenientes do trabalho assalariado estacional, o que diminui a capacidade econômica de adquirir alimentos.
Com o objetivo de reduzir os níveis de insegurança alimentar da população centro-americana, particularmente da população mais pobre e que se encontra em uma situação de alta vulnerabilidade e risco; uma estratégia de segurança alimentar teria o propósito de adequar as estratégias de manejo de riscos e a orientar as ações dos governos, comunidades e lares rurais para diminuir a vulnerabilidade a fatores externos e internos que provocam persistentes crises de insegurança alimentar.
A estratégia tem o objetivo de alcançar um adequado equilíbrio entre os objetivos de melhorar a segurança alimentar, tanto a nível nacional, como familiar; sua ênfase e prioridade estará em reduzir a vulnerabilidade e alcançar impactos significativos na segurança alimentar familiar. Isto, mediante o aumento na produção e no auto-abastecimento de alimentos, assim como na proteção de renda e consumo familiar e na sustentabilidade de seus sistemas de produção.
A estratégia contempla três eixos principais que são complementares e que se correspondem com os níveis: marco, meso e micro, os quais oferecem diversas modalidades de manejo de riscos e deveriam se organizar nas ações para o alcance de seus objetivos:
- Em nível macro: o âmbito regional da ação dos Governos. O transbordamento da institucionalidade da integração regional com o propósito de reduzir a vulnerabilidade global à insegurança alimentar, mediante esquemas e mecanismos de manejo de riscos a nível regional.
- Em nível meso: o âmbito das comunidades e organizações rurais. O melhoramento de capacidades locais com o propósito de ampliar as oportunidades de acesso da população rural à oferta existente de programas e recursos públicos e aos mercados de serviços financeiros e não financeiros.
- Em nível micro: o âmbito da família pobre rural. A transformação de sistemas de produção com o objetivo de reduzir a vulnerabilidade e conseguir aumentar a produção de alimentos fazendo um manejo sustentável dos recursos naturais.
A estratégia regional de segurança alimentar deve se inserir na institucionalidade do sistema de integração Centro-americano. É neste marco institucional regional onde se deveriam buscar aliança com outras agências internacionais de cooperação como a FIDA e a PMA, assim como doadores que compartem a visão da FAO em relação à segurança alimentar na América Central, como os Governos da Espanha e da Holanda a fim de gerar programas e/ou projetos de cooperação técnica que permitam a instrumentalização desta estratégia.
Informação Relacionada em espanhol:
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